Domingo, 12.02.12

Seis anos

Passaram seis anos desde do surgimento do  presente blog, nele tentei escrever sobre todas as tolices que me passaram pela cabeça, muitas delas hoje privadas, sem acesso público. Nestes seis anos cresci. Mal era. Diria mesmo que mudei muito. De jovem idílico capaz se sobrevoar as mais absurdas ideias,  para alguém que esqueceu-se quem era. Porque tornei-me naquilo que os outros querem que seja e eu próprio faço por corresponder a essas mesmas expectativas. As minhas capacidades predisponentes ainda existem, todavia as precipitantes evaporam-se na eminência do quotidiano intersubjectivo que nos intrelança em vícios e manhas. Portanto, digo, com toda a certeza, que já não sou quem era. Talvez ainda permaneça , aliás permanecerá sempre, as reminiscências, não apenas duas, mas dúzias delas. Hoje falta-me um ócio romantizado da vida , motor de dinâmica itinerante, emergente daqueles todos espasmos literários de quem nada teme. Isto sou eu hoje. Sem esperança.

JoãoGouveia às 03:38 | link do post | comentar
Sexta-feira, 18.03.11

Viajante

Queria ter pés ásperos.

JoãoGouveia às 22:54 | link do post | comentar
Terça-feira, 19.01.10

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Um ano sem escrever. Ponto final irreversivelmente infinito?

Que seja quase um ano.

JoãoGouveia às 02:59 | link do post | comentar
Terça-feira, 12.05.09

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Como se o fundo fosse ainda mais fundo e o belo ainda mais belo, em profundos fundos capazes de pressionar os suspiros, como gritos agudos mudos, numa contenção absurda sentida, à mercê do silêncio sensitivo daquele momento final, onde flores suspensas dançam em sintonia com a morte de todos os Homens corajosos e que pensaram além do propósito regente. E os tontos não dançavam mais, era só um calado absurdo dito, eram apenas rosas a flutuar nas bocas espumosas e um último homem velho que contava quantos não restavam. E houve muitos como ele, pessoas que somavam outros desfeitos corpos, outrora vitais pensantes e frágeis nas suas interrogações frustrantes, átomos itinerantes que ficam e falam às plantas com flor, átomos que compuseram todos os Homens inquietantes já mutilados e contados. Já não há mais ninguém para equacionar e concretização numérica dos dois braços, das duas pernas, do tronco e da cabeça. Perduram as flores brancas abertas e as vermelhas fechadas, as amarelas não existirão mais e os animais foram os anjos dos antes cientes Homens. A música é o vento coligado à chuva. As obras sustentam-lhes a imaginação e gradualmente ocupam os espaços intrínsecos dos edifícios, compondo-os de floral pálido florescente. A tesoura subiu aos céus e nunca mais regressou.

JoãoGouveia às 23:15 | link do post | comentar
Quinta-feira, 07.05.09

Apontamento 01/07

      

  No fundo endógeno de um apara-lápis pequeno, habita uma colónia de formigas materialistas, obreiras de um mundo para além do inimaginável. Ao som dos anjos primorosos, elas pintam telas que inflamam a apara dos lápis mais corajosos e alimentam a rainha neoliberalista. Todos privilegiam a sintonia cosmopolita, onde as folhas nascem secas e a loucura abre o caminho labiríntico até ao berçário calorífico, conspurcado de larvas sedentas de ar puro, derretidas em sintonia asfixiante. E eis que uma escapa e é mutilada pela lâmina daquele afiador inexistente na tua imaginação. De baixo agradecem a chuva viscosa.

 

 

JoãoGouveia às 00:46 | link do post
Terça-feira, 05.05.09

A Miúda que quer ser estranha

 

 

         A miúda pegou a tesoura de cortar o peixe. Aproximou-a dos seus cabelos finos e alourados, com ternura e sem uma única reminiscência, apontou ulteriormente a quantidade certa para a construção de uma tala pelosa que cobriria as falhas epidérmicas do seu gato mimoso.

   A miúda escovou os dentes, sentada na retrete, enquanto o seu gato mimoso lambia fervorosamente as gotículas pendentes da torneira conspurcada de pasta de dentes já seca, proveniente do esguicho bocal da rapariga solitária.  
   Ninguém  sabia que ela tinha um gato mimoso.

 

JoãoGouveia às 22:51 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 28.04.09

Ending Story

 

 

      Todas as angiospérmicas desfalecem em espasmos de intoxicação social e delas nasce o seco e o débil, o magro e o cansado, em tempos paralelos, naquele momento, pedindo desintoxicação ambiental. E eis que a tesoura mágica surge do interior indecifrável, lúcida e indubitavelmente encantada, porque dela nasce a possibilidade da aniquilação humana, então corta cada cabeça fulminante dos Homens. As flores reaparecem frágeis e a chuva divina enaltece-as através de gotas emudecias. Um homem já não passa por aquele caminho floral.  
JoãoGouveia às 12:42 | link do post | comentar
Quarta-feira, 08.04.09

A tecla gasta dos olhos

 

          A paisagem dança de pormenores nos teus olhos. As penas dos pássaros e a tinta das casas, e todas as árvores em flores murchas, suspiram como tu dantes conseguias e um melro quase embate na tua janela. Um céu esfíngico. Molhado e seco, e o teu bairro, e um grupo de verdes amarelados distantes, amálgama sensitiva agridoce de longe. Num horizonte difuso e que já não te marca.Inseres-te no teu cubículo de onde vês aves indígenas capazes de sobrevoar cidades no rasgo do sol, e tu? - que sabes depois do teu olhar passivo?

JoãoGouveia às 19:11 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 07.04.09

Ela ama quem tiver a paciencia de a conhecer - parte II

         A menina Lurdes Castro, conhecida pelo seu dote artístico, começou a elaborar rascunhos de notas sincronicamente suaves e apelativas no domínio da reflexão sonante e lá assim, abriu o caminho do sucesso, deixando-se levar pelos infortúnios da fama singular. Esqueceu-se de falhar, não por desejo, mas por conveniência. Vocalmente impressionante, mas inadaptada ao reconhecimento exterior, capaz de asfixiar o som proveniente das suas cordas vocais ingénuas, enclausurou o seu corpo pesado numa casa de férias parisiense e nunca mais foi vista. Porém continuava a preexistir no olhar de um homem lúcido e respeitado, que a continuava a ouvir por remorso de um dia a ter deixado despida e só numa das muitas ruas deprimentes existentes nesse lugar em que vives. Tu que me lês, sabes do que poderei estar a falar e sabes, melhor do que ninguém, que ela ama quem tiver a paciência de a conhecer.

 

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Para aceder à primeira parte do texto, clique na seguinte palavra: Paciência.

JoãoGouveia às 03:01 | link do post | comentar
Quarta-feira, 01.04.09

Rua da Gimnofobia

 

      Para todos aqueles gimnofóbicos de direita, o corpo é sagrado e deve ser altamente salvaguardo de qualquer mosquito venenoso. Para a Glória Primor, a vida esqueceu-se de se despir de preconceitos.

  Vou mudar para “sapropel".

JoãoGouveia às 14:39 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 17.03.09

Rua Doutor Borges da Silva Quental

 

Últimos dias de um homem de um planeta qualquer.

            No dia onze de Agosto de mil novecentos e dois, nesse dia lembrado pelo desespero caído desses Homens que viram as suas casas ruirem, eu estava a usufruir de umas férias magníficas em Moçambique e nunca imaginei, nem por meros seguntos criativos, que um desses Homens viria a ser a perseguição mental amorosa platónica do meu ser. E como me entristece a ignorância dessa época pautada pelo absurdo cego dos meus olhos, como era incomprensível a indiferença egocêntrica do meu eu hoje flagelado, como dói, como foi o que já não é. Se ou menos pudesse voltar atrás...Meu Deus, que pensarão eles deste meu cárcere corpóreo deambulante e fraco? Que pensarei eu, Meu Deus, deste meu pecado viscoso que corrói as minhas veias gastas?A guerra levou-lhes, não só a alma e as casas, como também arrancou-lhes a bondade, deixando-os secos de medo. E porquê? Porquê esta obsessão deles por mim que me faz estar hoje a caminho de uma solitária eterna? Como fui um embecil...Para quê lamentar-me...para quê matrizar este corpo já sem resistência? Só queria encontrar-me com esse homem e beijar-lhe sem fim, amar-lhe como quem ama uma mãe desprezada pelo tempo, rir e nascer de novo.

           Quero contar-te uma coisa amor: no meu sonho vejo-te a escrever-me uma carta. Também vejo-te a caçar um elefante. Vejo-te com marfim nas mãos. Vejo-te a correr para mim. Vejo-te radiante. Mas já não quero sonhar contigo, isso faz-me mal... esta culpa ataca-me as vias respiratórias. A tua mulher contou-me um história sobre o teu fascínio pela linha do horizonte, como eras grande! Toda a tua biografia mal contada comoveu-me e amei-te. O teu povo odeia-me.E eu odeio que faças parte desse mesmo povo. Tu foste o despertar dos meus erros, como também do meu fim e o teu povo nada contribuiu para isso, nem para o bem, nem para o mal. Agora vivo em angustia por ti, porque também sofreste,mas prezo este sentir mórbido, pois faz-me entender o quanto dilaceraste por dentro e por fora, quando de bombas ataquei a tua casa e fiz morrer os teus filhos. Não tive culpa, naquela altura parecia não existir alternativa, era e sou louco. Não tenho nenhuma fotografia tua, continuo a perceber-te na minha mente com um rosto solene e másculo a sorrir, sempre a sorrir e a cantar de vez em quando, baixinho é claro, porque não quero que mais ninguém te ouça, quero que cantes só para mim, gesticulando esse só teu bater de asas com os braços, até parece que voas para o além dessa linha do horizonte de que tanto falavas.Hoje a tua mulher estará cá. Ela nunca mais teve prazer desde da tua partida, mas hoje terá um. Vou dar-lhe o prazer da minha execução e fá-lo por ti, meu amor. O meu Deus está comigo, não tenho medo de nada. Sinto fome e vontade de coçar-me nas paredes polidas desda cela purista. Amo-te tanto, meu céu mental que ainda aconchega de palavras amorosas o meu ser desprezível para mim e para os outros.


 

JoãoGouveia às 04:26 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Caminho Inconcreto número vinte e dois A

 

      Sonolento anda para trás, com as costas voltadas à vida, sonolento anda, colhendo lacunas de saber imperfeito que rasgam de dor os seus olhos que vêem gradualmente o parecer da imagem singular, uma entre tantas mais. Uma, mas só uma, porque num momento somos todos obsessivos por qualquer coisa. O amarelo doentio cruzado com o verde visceral, ventre nauseabundo que esculpe traços magros de fome, dando à luz um ser que ainda desconhece a dor da regressão, do olhar e do vivido, dos cães vadios e dos poros dilatados à luz do nariz. Nascerão mais e sempre mais qualquer coisa para além de ti, na incongruência do tempo e nas gotas químicas que ainda caem de um céu aberto ao universo.

       Termina a vontade de escrever, como ponto amarelo doentio.


 

JoãoGouveia às 00:39 | link do post | comentar
Quarta-feira, 11.03.09

TSA

 

   Este lugar faleceu por volta das dezanove horas da tarde e poderá ressuscitar por volta das dezoito horas de uma mesma tarde. 
JoãoGouveia às 19:05 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 26.02.09

Caminho Correia Borges dos Santos

 

     As torneiras voadoras e os babuínos de pêlo curto, e ainda as girafas azuis rabugentas, todos eles têm uma alternativa de vida para além do teu verde esperança. E o sol não brilhava mais, mesmo que utilizes os óculos de sol prateados que roças nas mãos alheias. Tudo isto se via do caleidoscópio musical do teu interior já não criativo, numa loucura além do imaginável, é fácil ver-se todas estas reminiscências quando já não se sabe distinguir a mentira da verdade, difícil seria não importar amêndoas doces à deambulação dos dias efémeros e despertar equações racionais demais para a compreensão científica.
     Eles velam por máquinas ancestrais de escrita não metódica e criativa, abocanhado cigarros aromáticos convulsionantes e desagradáveis aos olhos da saúde pública, têm pena da extinção desses animais outrora míticos, choram em folhas de papel já molhadas pela viscosidade das lesmas que não matam, porque aniquilar um inimigo é perder o nosso ódio e transformá-lo em arrependimento nostálgico nos dias que passarão.
      A vida em câmara lenta degenera-se no meu pensamento, desmorona-se por pasmos de admiração abúlica e sem lógica, não é esquizofrenia, mas tomara que o fosse, não é medo e muito menos falta de compreensão, são apenas os meus decréscimos dias reconstrutivos mentais que aplaudem a minha letargia amarga, que é ao mesmo tempo inquietante e provocante.
     A felicidade pode estar algures, talvez num ponto de estagnação da tua própria imaginação, porque ela é indecifrável, apertada ao âmago contrário da morte que não vive, porque dizem que não é real.
     Fragmentos interpelados em ti, parados em focos interiores capazes de sobrevoar cidades, caem no acordar da realidade castradora, limitada, por isso mesmo infeliz coitada.
 
JoãoGouveia às 13:24 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 05.02.09

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             Eu, o meu amado e sempre lembrado fundo endógeno, meu conhecido e molestado por ideias oriundas de um mundo inventado, sabe que os dias passarão e em anos tornar-se-ão, sabe do devir castrador que dirá…devagarinho, num sopro flutuante, numa palavra que decidirá o meu futuro para sempre. Momentaneamente…nada sei, talvez porque…já nada quero medir. Os sonhos mortos e as festas, os desenhos e as colheitas, os afectos e as cerejas maduras como o podre das almas apaixonadas, caíram num abismo intrínseco capaz de sobrevoar indígenas cidades…em pasmos emudecidos…crescem e nascem. Repete-se palavras, promove-se diálogos filantropos, esconde-se as mesmas mentiras e segregam-se finais irremediáveis aos pés dos doutores analíticos…E a ternura animal? O olhar por detrás do coração? A manifestação rancorosa de um dia qualquer? Onde pairas…metamorfose cosmopolita? Em exposições sensitivas…Em odes populacionais? Para quê continuar a exercer a mesma função…A vida capta-se em substâncias de igual para igual, há os filmes e o teu próprio teatro e mais mil e uma coisas e os épicos não existem mais, porém tu escolhes e morres em gestos ainda por gesticular e assim proliferam os átomos esquecidos…poeira cósmica e imutável que entristece qualquer desconhecido… Quem ao ver-me dirá...
 
    
JoãoGouveia às 21:10 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Segunda-feira, 05.01.09

Nivelar intenção

 

 

 

      No próximo ano diferente, eles vão esquecer que ainda existe uma sombra esquisita e mutável. No ano seguinte e no próximo, eles vão pintar e mudar de novo. No longe dos afectos, no limiar das lamentações, eles esquecem e nivelam mais estranhas formas que se arrastam ao longo do corredor acrílico. No fim resta, apenas ainda perdura uma nova hipótese de serenidade, porém sem grande esperança de compor a vida aos olhos da normalidade, eles suspiram metamorfoses e concluem sismos intrínsecos culpados por sobrevoar cidades desconhecidas. Ao lhes verem passar, caem por gestos emudecidos.     

 

JoãoGouveia às 13:20 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sábado, 20.12.08

Lâmpada intermitente

 

   
 
 
 
 
     Pela fechadura peganhenta de tanto açúcar envolvente, pelo olhar pálido por afagos despercebidos e por todas as mais alturas vertiginosas desse mundo em constante devir infinito, eis que ela sentiu o verdadeiro apelo pela natureza  e de todos aqueles seres ainda vivos, mas já mortos em pensamento, eram dias assim, simplesmente aqueles dias secos de odor multifacetado, que a neutralizava a incutir aos outros uma forma estranha de estar e de ser.Ninguém a entendia e de ócio esculpiu a sua vida sem sentido aparente e assim dedicou-se aos dias passageiros.
      Numa sexta-feira fez-se uma luz intermitente na sua mesa-de-cabeceira, mas era só a lâmpada mal atarraxada, nesse instante houve quem perdera a esperança de encontrar a magia natalícia.  
      
 
JoãoGouveia às 20:11 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 28.11.08

200g de medo em pura manteiga de banalidade vital

 

         Hoje apetece-me desesperadamente escrever nas paredes da tua parede, falar de tudo e dos incomensuráveis nadas desta vida difusa e claustrofóbica, eu sei que já convulsionaram a plenitude de um vértice apoteoticamente banhando em lacunas incompreensíveis de felicidade, talvez um pouco amena ou forte demais, contudo a única forma sensitiva existente de deambular com motivação na vida em direcção à morte fixa. Quem é ela? – Essa felicidade que tende a se distanciar do cérebro gasto humano quando crise torna-se controvérsia? Eu não sei. E vocês? Eu acredito, porém não piamente, se é possível já acreditar em qualquer aresta limada de razão, que ninguém poderá assegurar estabilidade numa vida em corda mais que bamba. Há quem viva para alimentar as bocas dos filhos, outros para teres malas verdadeiras da louis vuitton,outros para encontrar a sua “máscara” metade e etc. A felicidade está naquilo que se encontra no exterior, no espelho do corpo e no prestígio da mente? O que faz a vida efémera vida? É só isto que basta? Ir ao encontro de neologismos e imutavelmente enquadrá-los em teoremas linguísticos fixos, recriando línguas maternas, dando nome a coisas e fazê-las evoluir e mais tarde comentá-las num role de frases pensadas em blocos de informação classificáveis no exógeno ambiente que os rodeia? Controlar a natureza, subjugá-la aos interesses mundanos do bípede finito mais racional dito por ele mesmo? - Embora alguns cépticos não concordarão com tal proposição isenta de justificação no paralelo infinito que nos compõe.
 
 
        Dois hipopótamos comungaram e baptizaram a criancinha, mas foi pela família da província e depois despediram a empregada, rezando o pai nosso e depois fez-se chuva nesse pântano de glicerinas acesas pela manhã medonha. E lá vão pastando a vida, uns acham-se maiores, outros deitam-se tarde, aqueles morrem, ainda há os debilitados anónimos e os fingidores do bem, porém não convém esquecermo-nos dos que aquecem as mãos com frio, pois deles nasce a pobreza de que  tanto foges, é o recalcar da fuga da solidão medrosa, numa ânsia pela liberdade de sair da lama que afunda o órgãos fugazes.     
   

 

JoãoGouveia às 19:33 | link do post | comentar
Quarta-feira, 26.11.08

O mundo da barata extinta

 

          Muitos pensam ter a noção simplificada do ódio frutífero, porém pouco ou mesmo nada sabem sobre o ódio apologista do sacrifício humano, pois este para além de muito mais forte, isto é, maximamente mais potente em termos de sangue explosivo mental, é também produtor de uma predisposição endógena para um provável suicido. Eles não sabiam como controlar tal fonte venenosa de aniquilamento corpóreo dos neuróticos anónimos, como não haviam estudado a adrenalina de estar envolvido em teias perigosas e traiçoeiras pensantes, elaboraram um relatório falante apenas em termos já ultrapassados de Freud, esquecendo o culminar da globalização emuladora e cegamente fria aos rituais praticados pelos egocêntricas.
    1.2.3.454567.
JoãoGouveia às 00:35 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.11.08

Episódio três mil e seiscentos

 

 

 

           Eles estão presos no resplandecente dos seus corpos cobiçados, enclausurados por conveniências materialistas, desprezando o dó das outras vidas cinzentas e ao passearem os seus bulldogs franceses apercebem-se de que o crepúsculo  indaga (naquele instante cinematográfico mórbido) a absolvição de todos os seres desprezíveis que não ladram, mas que choram e os carros buzinam, assustam a rua que está completamente congestionada. Faltam doze minutos exactos para o fim do mundo. Há quem corra sem intuição e quem olhe fixamente para a transparência dos olhos cegos dos outros, ainda há os dependentes que preferem continuar a passear os canais por cabo nas suas mentes manipuladas e nem se apercebem do fenómeno determinante.Uma hora e meia mais tarde, aquela mala Louis Vuitton genuína transformara-se em átomos flamejantes.  

            

 

                                                                         João Gouveia

JoãoGouveia às 20:51 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 12.11.08

Papinhas de Aveia

 

          A galope aproximam-se do sanatório de Rienesburgo. A relva pinta-se de ébano distorcido, desfocando a visão dos cavaleiros monges desprotegidos e passados dois séculos de vómitos viscerais consumidos, eles voltam e obrigam os neuróticos anónimos a alimentarem-se diariamente com papas de aveia secas, conspurcadas de moscas cansadas de voar em círculo comovente. Os ecos gritantes no corredor principal radicam abundância mórbida e as paredes descascadas evocam degradação corpórea de todos aqueles homens e mulheres famintos de razão. Um deles recusa-se a ver a luz do dia e um outro, esperneia por não viver nem mais um dia, – no silêncio de ideias nasce a ausência, capaz de transmitir a mais apoteótica tristeza que nenhum de nós poderá medir, clemência essa digna de prescrever a máxima tétrica invejável para o sensitivo homem comum – são dias desses que os fazem sentir donos e senhores da verdadeira letargia e mais do que qualquer monge, os originais percursores do genuíno sentido sem Deus e sem anunciados científicos, são o nu da acomodação, o ninguém de alguém, mas sobretudo, o ser sem parecer ( o ser sem parecer x*).
 
* No sentido de qualquer valor atributivo incógnito ao Homem aquando sujeito pensante.     
 
 
                                                                                 João Gouveia
JoãoGouveia às 21:12 | link do post | comentar | ver comentários (2)

My Work


JoãoGouveia às 14:02 | link do post | comentar
Domingo, 02.11.08

Angustia fotográfica

 

 

 

    Lentamente recorda-se Fevereiros risonhos e noites que nunca acabam.
      As castanhas e as nozes que nunca mais saboreiam à inocência dos nove anos.  
      Momentos perdidos na mente reflectida de um homem bom. São estas pequenas fotografias a preto e branco que revelam a veracidade amorosa, pequenas e grandes, focadas ou tremidas, incutem uma mensagem, aquele sorriso simulado ou até aquela postura verdadeira, somas e somas de maneiras, são de um dia qualquer, de um momento de enlace, são prova da memória que preexistirá pela vida.
      As palavras já nada dizem ao cérebro cansado e a máxima já não existe mais. Tudo se transformara em ódio sonante e as premissas são cinzentas, a luz apagou-se, fecham-se as cortinas e morre-se triste. A mágoa é tanta que asfixia a voz, o vazio é tanto que mata aos poucos, a dor é tanta que purifica a alma e os dias preservam a realidade. Os dias preservam a realidade. Os dias preservam a realidade. Os dias preservam a minha imaginação.
      Partidas e ases de copas numa mesa escura e eis que aparecem as lacunas da imaginação, são nove e cinco da manhã, não restam mais dúvidas, as apostas terminaram e devagarinho abre-se a porta do quarto.
     O passado dele é o aforismo amistoso e o alimento pela obsessão ferida, espezinhando os meus dedos com uma sola de espinhos cruéis.
     Os discos de vinil deviam de arder com a impressão de nunca terem existido, tal como todas as tormentas que atingem cada poro sensitivo do meu egocêntrico e maltratado ser.
     Matem-me por favor.
JoãoGouveia às 04:55 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quinta-feira, 09.10.08

Presença iquestionável no Teatro dos Berros

 

 

        Durante muitos anos a mentalidade da Flor de Paus, foi-se contendo à graça de não ter graça alguma, eram pasmos de ternura desenhados em feições tristes e manipuladas para sentir um ou dois estados tétricos seguidamente, foram tantas as vezes de reflexão sobre um ou mais objectos de estudo que numa verdadeira guerra melancólica, a vida perdeu-se no aforismo letal do nada que na verdade é a mais transcendência do ser. Por isso e mais uma vez, vamos contrariar quem tiver a paciência de conhecer o profundo vertiginoso do serial Killer.

 

 

 

 

 

                                       João Gouveia

JoãoGouveia às 16:20 | link do post | comentar
Quinta-feira, 02.10.08

Russa Monte

 

                 É só mais um começo, - neste presente dissolvente de estreitas formas de sentir - qualquer desejo recalcado, qualquer conector de discurso inacabado, qualquer aroma perturbador, qualquer essência sem sentido, qualquer distúrbio inalterado e até mesmo qualquer acústica sem som, não interessa, pensando melhor, não interessa-nos, nem a filantropia que todos anseiam possuir. Por isso vamos contrariar quem tiver a paciência de nos conhecer. A leitura, o cinema, o procurar, os instantes intensos da superfície deste tão nosso lugar de todos e este movimento que não concretiza alivio que alivia estes contempladores corpos cansados de tentar medir os demais horizontes existentes que rompem no invisível endógeno, é tudo fruto de um quase pensar verdadeiro e de uma alienação desmedida que planeia estar perto do Homem, esse ser global sensitivo e oprimido, aquele que pensa com o olhar e vê com a sua razão irracional ou racional fragmentária, numa absurdidade que não indaga harmonia normalizadora contínua, porque nada é normal contínuo e harmonioso e se o é, perder-se-á na obscuridade mental de uma individualidade momentânea verdadeira pensante e fugazmente possuidora possuída de demais cenário falso ou verdadeiro de alguma coisa ou de coisa alguma. Porque de descrentes móveis adultos está o mundo cheio e são a esses que foi comprometida a missão de nivelar tudo o que se mexa por fora e por dentro, é esta reflexão descomprometida dos planos antropológicos intemporais de que é a vida nesta contemporaneidade veloz que se intersecta com a resolução imaginária da nossa querida e absurda pessoa chamada Russa Monte. Não contagies o próximo com a tua loucura, não desfaças a conceptualização de felicidade com a tua angustia cosmopolita, tu falhas neste antro cultural aberto e mediador conspirante, tu saltas para o abismo do vácuo pensante e niilista de ser e não ser, não feches a realidade que naturalmente encerra-te, não desperdices o expelir da alma no século eminentemente em sobressalto de não ser a resolução do todo antes e do todo depois, vamos ambos fluir sem pensar no câmbio das formas e da forma. Desiste do absurdo.
Estás atrasado. A demência incide-te cerebralmente. Russa Monte, vai para casa. Acabou. Perdes tempo nessa circunscrição clássica e rotativa sem devir possível. O teu gesto deficiente denunciado na sombra mística que o teu corpo reflecte, denuncia a oscilação efusiva que compõe cada exteriorização incongruente da tua parte inconsciente ou consciente, ou nem uma coisa nem outra.   
 
 
João Gouveia
JoãoGouveia às 18:13 | link do post | comentar
Terça-feira, 27.05.08

Conta-gotas Embrutecido

 

 
    Aquele sinal de transporte público incandescente, por muito que estivesse longe dos teus dois últimos dias de contacto, poderia na mesma, compor de luminosidade enganosa a tua metade anímica cinzenta, era somente preciso a tua colaboração, mesmo que em gotas embrutecidas.   
JoãoGouveia às 19:18 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 30.10.07

Apontamento 2225

   

 

 

 

 

 

 

 

 

     Dentro do infinito fundo que me compõe, descubro este amor disperso em partículas condescendes, capaz de transformar toda a racionalidade em puro sentimento que basta, porque enfurece a ânsia de dar-te o mundo impossível, porque preenche o verdadeiro sentido da minha existência e corrompe todo o ódio por vezes em mim patente. Dentro do infinito que te compõe, descubro esse gostar disperso em partículas incandescentes, capaz de transformar toda a dúvida em pura angustia que não me basta, porque enfurece a minha mágoa e corrompe todo o amor em mim ardente.

 

                                 João Gouveia 30-10-2007

JoãoGouveia às 23:46 | link do post | comentar
Quinta-feira, 11.10.07

Vazio Arder

 

 

 

      Eu nunca supôs supor, ousei crer ter a dor que sinto, não antes de perceber, na verdadeira graça da vida, o porquê de só as crianças acreditarem em fantasias boémias... Tantas linhas rectas, obliquas, planos dispersos, premissas de uma razão figurativa da qual não faço parte, desenhos que fazes sem pensar em nós, frases estas que faço, porque fazes parte de mim, paradoxo este que parte duas vidas,  (im)possibilidade de felicidade, porque alguém também te magoou?...Chorar frágeis anéis, como que de um círculo vicioso nascesse lágrimas rotativas da situação por si só inesperadamente injusta, numa crença emotiva sem valor num enunciado sistemático, choro eu, mas num dia qualquer...qualquer faísca fará arder o papel vazio do teu ser...

 

 

 João Gouveia 10-10-07

 

JoãoGouveia às 00:49 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 21.09.07

Azul Rosal

 

 

    Numa orquestra azul rosal, nasce a sinfonia apaixonante, um quê de magia arrepiante e naquele instante, a mais bela história cantada, num grito ardente vindo do peito, a voz muda do sentir, em frente, o alto-falante da brigada de trânsito, apenas um de nós restava na multidão extasiada, ninguém se comoveu com prenúncio da despedida, palmas mostravam a vontade enfatizada de fé, um suspiro fundo e eis que tocas a balada nocturna, e lá cativas a tua força de viver no azul do teu quintal.   

 

 

                                         

 

                                                                                   João Gouveia 21-09-07

 

 

 

 

JoãoGouveia às 22:58 | link do post | comentar
Sexta-feira, 14.09.07

Neblina Cosmopolita

 

   Ambiente londrino, tarefas arrumadas e no penúltimo andar vendo a neblina, eis que naturalmente velo pela filantropia mundial, mas que tontice a minha, é só mais um dia banal. As pessoas passam e nem olham, que despercebidas são, mas aquele olhar na multidão parou, talvez particularmente desejou observar a falta de percepção alheia aos modos e às maneiras, ao ambiente e à confusão, tirando a forte ilação de que o mundo não era feito de nada. Portanto pintou numa tela a falta de compreensão e deitou-se no humor negro de quem pensa na desintoxicação social.

 

 

 

 

 

João Gouveia 13-09-07

JoãoGouveia às 03:00 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Segunda-feira, 10.09.07

Apontamento 2222

 

 

 

    Supérfluo cheiro a mangos frescos dão lugar a maços de tabaco queimados, linces velozes a tartarugas rasteiras e ninguém dava comida àqueles porcos sujos, eram latas pelo chão, raízes cortadas, luzes intermitentes, papéis por reciclar, sem dúvida que o ambiente declinava as narinas para o chão oleoso, à sexta-feira era dia de compras, também o dia do Imaculado coração de Jesus, pelo menos nesse dia chuvoso. E para quê chorar, berrar fortemente para fora, provocando tosse, era o divertimento dele, aliás, o nosso, as lágrimas eram a única fonte de todos os eus debilitados. Um deles escrevia lacunas secas de palavreado mórbido, aquele limpava de cor preta o móvel podre e mais um ajudava a outra a arrastar o carneiro para a fogueira, eram dias assim, eram sem dúvida aqueles dias assim, que me lembravam do medo do mundo, nem a fé, nem tu, enfim, nada no fundo era mais preciso que a liberdade, mas onde está ela? No teu incerto infinito redutor? Hoje, principalmente hoje, neste preciso momento, flutua cerebralmente o adeus embutido em mãos desenlaçadas.  Talvez nada mude no “smoke” do quadro impressionista, é verdade, as cores indicam leveza e suavidade, quiçá a máxima do perfeccionismo ocioso, diria eu no ínfimo dos meus receios salvaguardados em dissimulação produtora de mim mesmo. Estou farto, intimamente, mesmo sem justificação aparente, continuando a acrescentar a mesma maneira visionária, porquê? Enquanto realmente houver ventos e mar, já dizia Jorge Palma, nós vamos continuar, neste caso eu irei, somente, a ver, olhar estaticamente, inerte no sonho, preso neste mundo feito de nada, deambulo sozinho, triste, só, dormindo obrigado, serpenteando o labirinto emocional, a parte mais fraca, omitindo-se por tal outro e mais um por cumprir-se é posto para fora...

Divisão pluricelular, em vez da mitose, mas ele tinha razão, é mesmo desnecessário sabê-lo, pelo menos era naquele dia desafinado sonoramente falando, era o dia sem carro, para a Teresa  era o funeral da mãe.

 

 

 

João Gouveia - 07/09/07

JoãoGouveia às 04:09 | link do post | comentar
Domingo, 24.06.07

Aconteceu

  

  

     Brotavam flores singelas, vermelhas silvestres e ao fundo nascia o rio que seguia, os penhascos laterais desenhavam elipses inacabadas e o som denotava panteísmo cantante e em passos largos, a erva rectilínea até ao vale, coberto de névoa apagada pela condensação, depois vimos a grande cratera arenosa e do lado esquerdo, troncos cortados e empoeirados. A lua estava alta e o cheiro era de cinza, mesmo sem sabermos como ali chegáramos , estávamos felizes, convictos capazes de continuar a aventura. Sem frio, saltamos pedras, abrimos caminho em mata picante e delineamos o caminho mais hostil, escrevemos notas breves, amanheceu paulatinamente, bebemos água suja, provamos figos azuis e deleitamo-nos com a paisagem, do pico agreste e da planalto rasteiro, magnificente visão, sem itinerário, aconteceu.

 

 

 

 

 

 

João Gouveia

24.06.07

sinto-me: Mesmo mal
música: Michael Nyman - Sacrifice
JoãoGouveia às 18:42 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Domingo, 18.03.07

Anestesia Cerebral

     

    Porque necessito de aguardente a corroer o meu endógeno ser, agora, neste leve momento, a anestesiar o cérebro. Porque necessito de areia a embater o meu endógeno ser, agora, neste leve momento, a anestesiar o cérebro. Porque necessito de amor a derreter o meu endógeno ser, agora, neste leve momento, a anestesiar o cérebro. Porque necessito de sentir a força do teu ser, como que a expressão, subtil desde de então, fosse agora a tua única demonstração de anestesia cerebral.
   Esfrego o rosto. Os ouvidos interpelam sons imperceptíveis. Ao fundo, a dor. Que suspiro...
     Por favor, por favor, ajuda-me! Eu apelo por uma anestesia, por umas horas de paz, de esquecimento. Injecta-a. Faz circular em mim o desligar, o apagar dos sentidos. Fá-lo com prudência, mas sem moderação. Sê prático e induz-me tranquilidade. Ilude-me, vaticina-me um despertar melhor, diz-me que voltarei indolor, como que renascesse da vitalidade suprema.
      Porque necessito de anestesiar em pleno, o meu endógeno ser, agora, neste leve momento, procurando um anestesista. 
  
 
 
                                                                       João Gouveia
                                                         Funchal, 18 de Março de 2007
 
 
JoãoGouveia às 01:13 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 14.03.07

Rascunho no Café

 

 

Voos Interrompidos
Prenderam Aves
Indígenas Capazes
De sobrevoar Cidades
 
Por Doces Afagos,
Entre Deslizantes Asas,
Pelo Vento Apagadas,
Em momentos Estagnados,
Caem...

 

JoãoGouveia às 16:12 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Segunda-feira, 12.03.07

Incógnito Sensitivo

 

   Isolo particularidade momentaneamente reactiva de culpabilidade endógena, que reduz redentoramente a linguagem e todas as minhas faculdades afirmativas. Tenciono assim: esquecer. Mergulhando o incógnito sensitivo no esconderijo além do querer.
   Músicas tornar-se-ão meras sinfonias imperceptíveis aos ouvidos de quem as quer interpretar minuciosamente e nas cordas sonoras impenetráveis descobrir então, o motivo passado que uniu infinitos olhos a círculos emparelhados intermitentes. Num vício que tornar-se-ia cada vez mais insatisfeito, por isso escrevi impaciência e a isto acrescentei um padrão de infantilidade incompreensível. Por todos estes momentos vãos, curtos e facilmente substituídos, é incutido à minha patente subjectividade reiniciar. Contudo no talvez do medo. Na dúvida de ter errado. Na distância que não permite respostas precisas.
    Dias tornam-se ecos repetitivos, cada vez mais distantes. O vazio atrai pedras molhadas. A decisão subjuga-se cepticismo por paisagens passadas, as tais embebidas em vinho do Porto e deslumbradas no teu abraço amoroso.
 
 
                            
                                 Incógnito Sensitivo,
                                 Passado Eterno,
                                 Esquecimento Preciso
                                 
                                                                                       

Porque, como disse Maeterlinck, Maurice: “A palavra é tempo, o silêncio é eternidade".

                                                                                            João Gouveia, no esfíngico sentir

                                                                                                Funchal, 12 de Março de 2007

JoãoGouveia às 04:02 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sexta-feira, 09.03.07

Seguidamente

 

Seguidamente Pergunto:
Cego estás dos olhos?
Seguidamente Respondes:
Servia água em vez de chuva.
 
Seguidamente Admiro-me,
Como queres ser fonte?
Seguidamente Olhas,
É o rio em vez de mar.
 
Seguidamente Desvio,
Porque choras?
Seguidamente Afastas,
Tremia máquinas em vez de céus.
 
Seguidamente Acordo,
Quantos sonhos?
Seguidamente Aperto
Lençóis em vez de ti.
 
 
                    João Gouveia, em mais um dia.
                      Funchal, 9 de Março de 2007
 
JoãoGouveia às 18:45 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quinta-feira, 08.03.07

Eu

 
 
 
 
 
   Relâmpago temporal, lembrança transitória, recorda vultuosamente num ápice - odor apagado passado -,eu .
   Não apago cinzas vermelhas, eu não gosto de entreter-me, adoro aborrecer-me por conveniência, matando paulatinamente, escolho eu, porque aprecio o automático do bate-bate-coração, entres areias doces, climas amenos e pedras soltas, delino caminhos passageiros, é amar, eu amo. Apologista do eu por egos difusos intervenientes, sombras ambíguas, incertas nos momentos de agir por solenes resultados, por si só utopias inconvenientes, manifestam dúvidas a conscientes profissionais, padrões soltos alimentam fortes cabeças dilaceradas pela razão. Não sei quem é o eu que enterra memórias fugazes neste ciclo vicioso, na cama, lençóis emaranhados vincam peles, cravam companhias no corpo, eu posso, porque poderia poder estar no esquecimento insignificativo do presente que não prega nada. Meras paisagens, vejo-as eu, por distorções desfocadas do cumprimento de mão, surrealismo que ainda existe na alma flamejante, descontextualizada exprime-se frágil, eu no contínuo embaraço sensitivo dos dias, eu, então respiro ares vertiginosos na ânsia pelo labirinto que vós querereis que seja imperceptível pelo peso do entendimento que isso acarreta.
    Eu sei de eus escondidos em cada passo mentalmente diferido em mim mesmo. 
 
 
                                                                               Funchal, 8 de Março de 2007
                                                                                           João Gouveia
JoãoGouveia às 03:24 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 06.03.07

Cego de Muletas

 

      Não poderia ser pior, desagradavelmente irremediável, ditongo nas horas vagas - de“ai” lamentava a antecipação da fatalidade doentia e maldita.
     Silêncio, por favor, disse ele mesmo a si próprio, quando cego dos olhos e dorido estava do estômago, mixórdia de vómitos, acidez arrepiante. Naquele convéns de soalho podre, ele dizia recordar a fúnebre notícia. Sua mãe apenas consolou-o de nomes passados. Ainda cambaleando em direcção à porta, à única entrada do albergue, chamavam-no de casa tirana, não seria em vão, penso eu hoje, ele batia com a cabeça nas colunas de madeira estilhaçada. Por gosto ou não, talvez por rés de espadas brutos, ele persistiu naquele lugar até à morte. Febre delirante, alucinava-o a ver casas campestres no sol coado de Dezembro. Quantos círculos em volta da barriga nauseante? Com muletas cambaleou até ao fim do corredor, foi então que caiu e nunca mais se levantou, sangue encarnado, foi o que escorreu de lá até à cave. Recorda-se remorsos, pequenas reminiscências traumáticas. Era mulherio a chorar pelo seu homem. Brutalidade em pasmas consolações, lenços com saliva impregnada e soluços simulados, lembro-me que era tarde, desgostoso funeral aquele feito por sobrenome elitista. O homem sangrara por dentro, era um preconceitoso altruísta e não andava de muletas sem as utilizar como instrumento de agressão.
     Sem sentido existencialista nenhum. Morreu agarrado às contas pretas, simbólica acção já dos seus ascendentes parentes, falecer no acto interesseiro de quem reza pelo céu primoroso.  Ele dizia muitas vezes a mesma coisa e era diletante por conveniência. Detestava o Inverno, as tempestades viraram o seu barco.  
 
 
                                                                
 
                                                            Funchal, 6 de Março de 2007
                                                                           João Gouveia
 
 
 
JoãoGouveia às 04:53 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 03.03.07

Câmara Lenta

 

    Poderia acrescentar ao meu plano diário uma premissa mais desafogada, à monotonia dar descanso e a mim mesmo, deliberar a verdade individualista opressora, daqueles meus segundos de câmara lenta – tentados ao mal.
    Respiração a fundo, tolerância da difusão ideológica, íngreme peso que ainda persiste, à vontade faz-se ás de copas, numa percepção ténue, quase como que câmara lenta premeditada se tratasse, tudo ao compasso recto da música de dós. Ao fundo, fatalidade ecoa mágoa, pedras riscam rocha, deixam marca dilacerante, como rótulo proibido do necessário, particularmente aceite pela necessidade, numa cinematografia pensante, daqueles momentos de câmara lenta, gravados e esculpidos em finais drásticos, por não gritarem telas abstractas com coração. Linhas que já fartam, enchem-me de saciedade torturante, em palavras sempre iguais, contextualizadas na câmara lenta da tua vida, demasiado movimentada no ângulo quebrante de uma oscilação imperfeita, tremida pela incompreensão. O som. Esse desmaia, quando palavras tendem a manifestar vida demente. Repito réplicas sentimentais, mesmo assim insuficientemente inabaláveis, acordeis com os neurónios talvez acessos demais, numa prática quase que universal, nesse vai e vem de câmara lenta esquecida, a tal emotiva que desenrola a minha vida. Receitas calmantes, soporíferos que tencionam esquecimento, ditam-me falta de memória e em câmara lenta esqueço, paulatinamente, como que numa acumulação de selos eu coleccionasse o seu vício aceite.
    Despeço-me hoje das amarras cerebrais, fios que prendiam câmaras lentas sentimentais, que pouco ou nada simbolizavam para o realizador, fez do filme curta-metragem.
 

               João Gouveia                           

 Funchal, três de Março de 2007

 

JoãoGouveia às 05:21 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Terça-feira, 27.02.07

Vamos Morrer

 

   Patenteia-me repentinamente aflição cosmopolita mortífera – esclarece-me a generalização fugaz da vida -, hoje, aqui, sentado nesta noite amena, com um gato preto e branco no colo: remeto-me para a verdade imutável - isenta de suposições conformistas -, o eco censurável pelo ouvinte, eu próprio! ( Há tantas palavras). Sentir-te-ias sensivelmente sentimental, se de certo, sentido tivesse a tua existência?
Ontem, talvez ainda hoje, mas sobretudo neste instante, a morte segrega labilidade instruída, densa e forte, apoteótica na sentença que consciencializa-me.
   Eu, também tu, presumo, ou conjecturo, por mera hipótese personalizada dos diversos Homens que nunca pisaram a lua e sentiram o deslumbramento da vida rotativa em que se inserem, que desejavas ter vivido nos anos trinta, passeando na praia e pensando nos vinte e dois anos mais felizes da tua vida, ou afirmar-se controvérsia no século dois depois de cristo, independentemente da época, sonhamos ser intemporais, apologistas ou não de uma religião, pessimistas por natureza, ou ainda por obsessão, opressores da negação, todos beberiam a poção saudável da vida, possibilidade essa de imortalizarem-se na saúde frisada de um infinito amor vitalício. Quantas lágrimas um dia derramar-se-ão, mesmo que invisíveis, no momento da tua estagnação? E tu, nem havias saboreado aquele gelado de morango no dia dois de Agosto de mil novecentos e dois, e aquando vivo, não participaras no debate a favor do direito de voto daquelas mulheres, morrerdes no ápice absurdo (Meu Deus), sem aprenderes a escrever com a mão direita. Diriam:
-         Como foi possível.
Alguém visaria:
-         É a vida!
    E aquele lugar? Jamais teria o calor do teu corpo impregnado. Mesmo assim, risos contemplavam-no de vida, tu esquecido no vácuo em que tudo tornar-se-á.
    No hospital, o éter prolifera o odor mórbido daquelas salas desinfectadas todos os dias, a anestesia camufla o grito da dor, o guincho das macas pronunciam sofrimento ao fundo do corredor, a chapa revela que a nicotina tornara-o vício da morte, batas brancas reanimam o que lhes é já banal , suspiros de alívio pelas análises interpretadas, indiferença pela satisfação dos resultados, do outro lado, choros pelo diagnóstico e consolos para o irremediável.
    Eu estive em Paris, Lisboa, Timor, Roma, Viena, Nova Iorque, Bruxelas, Tóquio, Kiev, Oslo, Rio de Janeiro, Berna, Moscovo e Campo de Ourique. Estive? Poderia estar.
    É só um abafo na plenitude da efemeridade existencial: neste dia, nesta noite, eu escrevo, João Gouveia, terça-feira, vinte e sete de Fevereiro de dois mil de sete. 
    Eu ainda escrevo.

 

 

 

JoãoGouveia às 03:46 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quinta-feira, 22.02.07

Inverno Sensitivo

 

   No orvalho matinal, descubro gotas dispersas no vidro de onde vejo as nuvens cinzentas, carregadas de águas do teu oceano profundo, então, levemente acordo lágrimas em mim, paulatinamente pingam, é o começar de um novo dia.
   Respiro nevoeiro,  deambulo pela neblina desse caminho esburacado, cada poça reflecte o mesmo sentimento de melancolia diária e no fim da estrada, o monumento molhado com as fachadas espelhadas, desta vez lembravam a transparência do gelo. No portão de ferro oxidado, pernas bambas com guarda-chuvas abertos entravam, o vento folheava as folhas castanhas num remoinho quase que perfeito, e ao som dos motores, a saudade de introduzir-me lá contigo. Naquele estático instante, por muito que o frio tivesse congelado os sentidos, por mais que as calças estivessem salpicadas de lama pelos carros mais velozes, nada me faria despregar a nostalgia que a névoa inspirou.
    Era Inverno.  
                                                                                                 
                                                                                        Funchal, 22 de Fevereiro de 2007     

                                                                                                          JoãoGouveia

 

JoãoGouveia às 02:46 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Segunda-feira, 12.02.07

Degrau Neste Infinito Fim que Nos Alcançou

 

     O sim vencera na câmara lenta daqueles meus momentos dúbios de preguiça e um minuto ou dois depois das vinte e uma horas, escrevera penalização consciente amorosa pelos meus próprios dedos. 
    Acordei ocultadamente. Escrevo. Anteriormente adormecido.
    Paulatinamente imperceptível. Escolhas somadas, concluem solidão mascarada por família sorridente ou revelarão denuncia de disfarce. Para mim é muito mais que um roçar de mãos pensativo, é declarar cineticamente estagnação rotativa, é esquecer que os pontos de travessão poderiam estar presentes neste texto e que os “dois pontos” são sinónimo de “isto é”, é simplesmente aceitar seguimento delineado por projecto individualista, é levantar-se do banco de trás do carro e conformar-se de que não sabe conduzir, é estar triste, permitindo carícias e sendo objecto de próximos momentos, é sendo eu. Repetimos os mesmos sinais, mesmo assim sopram-nos brumas, ar gelado emocional, ferem lacunas sensitivas do nosso intrínseco ser. A música romântica. Para ti uma estúpida canção de amor, que eu unicamente ouvi. Agora ouço, don’t cry for pain.
    Estímulos. Comunicação lembra-me a tua voz, as tuas letras. Recordação esquecida por ti, pelos dias que passaram, em que pouco ou nada manifestaste-te. Desconectei. Desconexão essa por ti já adquirida. Gosto de pontos. Hoje. Somente. Dos pontos finais relacionáveis.
    És insatisfeito por natureza? Talvez tenhas razão - esta pergunta vem a propósito de quê? Também, muito mais que usar apenas um travessão num texto, é compreender os exemplos que transmito. Conseguem percepcionar a leveza de estar no banco de trás, de usar apenas um ponto de exclamação, em paralelo com a evidência evidenciada hoje? É um nada tão grande que mete medo. Já morderam rápida e aleatoriamente os dedos da mão direita, enquanto escrevem? 
    Nem está muito frio. Apenas aquela morbidez ávida, sim, eu já a trato com muito carinho. Caros leitores, não acrescentarei nenhuma conclusão a este texto. Apenas uma informação: ficarei ausente durante um período de tempo indeterminado, até lá continuem a reinventar máximas fotográficas com a vossa experiência.

 

 

                                                                                                      JoãoGouveia

 

( Quem estiver interessado em participar no blog culturalmente, entre em contacto comigo – explicar-lhe-ei o seu futuro funcionamento ) 

sinto-me: Triste por opção própria
música: Azure Ray - Novembre
JoãoGouveia às 03:24 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quarta-feira, 07.02.07

Eis Como

 
 
 
 
 
Como Dar
Como Receber
Eis Aceitar
Eis Devolver
 
Como Dor
Como Mar
Eis Amor
Eis Mergulhar
 
Como Vento
Como Livro
Eis Escrito
Eis Pensamento
 
Como Noite
Como Escuro
Eis Desalento
Eis Limite
 
Como Poesia
Como Tristeza
Eis Letargia
Eis Fraqueza
 
 
Como Tu
Como Eu
Eis Nós
Eis Meu
 
 
                SonhoFiel - JoãoGouveia
 
JoãoGouveia às 02:59 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Sábado, 03.02.07

Amar Silêncio Envolvente

    Sentindo a ambiguidade momentânea do “talvez”, a intuição revela-me muito mais do que a simples ilusão de amar silêncio envolvente.

    No oco pensamento, fugaz nas ideias, outrora predominante em crenças de amores individualistas, meramente fixos ao crânio e esboçados em linhas rectas de palavras soletradas no “amo-te” nunca antes pronunciado. Hoje difundo o antes, o agora e o depois, como utopia da minha vida, desfez a apatia exigente e acrescentou muito mais que um acréscimo pessimista. Escreveu tristeza subjacente à consequência irresponsável do ego que compõe cada gesto meu.
   Na casa abandonada, não há, nem pode existir, espaço, quer para móveis de cerejeira, quer para cortinados pesados, aqueles com mil pontos sobrepostos em tecido quente, reina somente, sim, uma tristeza nostálgica de um momento passado, ontem lembrei-a por reminiscência.
     Desisti de aperfeiçoar presentes, abdiquei da matéria surpreendente e dediquei-me exclusivamente aos dias passageiros, sem palavras, sem olhares, insatisfeito, somente folheando, acreditando no inimaginável de um facto, irrefutável na ideia e triste nos nossos tão sentidos sentimentos que ferem a obrigação de manifestarmo-nos sem vontade. Espero esperançar...
     Amar silêncio envolvente, amarra lágrimas, incapazes de comover. Desperta palavras nossas.
 
 

                                                                                   JoãoGouveia

JoãoGouveia às 22:16 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Quinta-feira, 01.02.07

Horizonte Vertical

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Horizontal
Deitado
Desviando pausas
Aquecendo o silêncio
Massajando dedos
Acariciando frio
Respiro fundo.
 
Vertical
Ando
Desviando rectas
Aquecendo suor
Massajando passos
Acariciando nuvens
Respiro fundo.
 
Horizontalmente
Dormindo
Ne verticalidade
De um sonho.
 
         
                                     João Gouveia
JoãoGouveia às 05:40 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 09.01.07

Fechado

 

      Laranja seria a cor desta minha excentricidade de silêncio se não permanecesse na sombra obscura – deverias dizer tu, quando apática se torna a tua existência.
      Folheei memórias de um passado recente, caminhei nessa fase, lendo recortes ortográficos patentes na caligrafia virtual que um dia carimbaste como sentimento , naqueles dias livres, ecoavas desejo oriundo desse teu fundo , necessidade suprema de ser feliz, não odiavas o meu mundo, o teu mundo, o nosso mundo e o dos outros. A cápsula encobridora dos teus sentidos está em contacto com os tais mundos e fere quem te ama, demonstrando a inércia do teu estado concentrado e desfalecido nas chamadas que não atendes, desligado do sol coado de Janeiro, da geada envolvente, do falaz noticiário, do rosto horizontal que tenta olhar-te na rua, escreves páginas nas horas frias da calada nocturna, ela vê o fumo que cobre cada letra, cada frase que motivou a tua atitude de desprezo, contudo ela rodeia-te de fragmentos mentais breves, famigerados ecos do coração, mas facilmente esquecidos pela frieza prioritária da labilidade evidente na tua vida, por isso exercitas esquecimento constante para libertares a tua malograda dissertação, dissecada em pontos que confundem-te e abstraem-te da realidade amorosa que um dia apertou de paixão o inteligível ontológico, o próprio que faz-te esquecer que vida segue lá fora.
      Por isso odeias o mundo.
 
 
                                                                      João Gouveia 
JoãoGouveia às 01:16 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 12.12.06

Live to tell

 
 
 
 
 
 
 Neste momento, por si só deprimente, anseio falar-vos, não só de tudo aquilo que me atormenta, mas também daquilo que devia atormentar-me.
 Por vezes, tudo parece desaparecer das nossas vidas, falo do amor, dum sentimento primordial da nossa efémera existência, não perguntem porque escrevi difusão cosmopolita anteriormente a este excerto, eu próprio não percebo o que desejo verdadeiramente atingir nesta passagem isenta de sinceridade por parte de nós mesmos. Os dias não param, somas e somas deles, as nuvens em constante mutação, o vento, ora este, ora oeste e eu, tu, nós, com tempos completamente diferentes, noutros ares, em vidas distintas, com problemas e razões obliquas, que nos diferem e ferem, quando a distância afirma-se controvérsia. E como, como odeio queixar-me, como é triste subestimar o amor e acordar numa ilha ultraperiférica, com falta de oxigénio e ainda mais triste é confirmar: todos só pensam nos seus interesses, na sua satisfação, utilizam quem os amam, vítimas depois dizem ser, e se o disseram, é porque eu, tu ou nós não aceitamos passivamente uma proposta, uma vontade alheia, e o amor? Será motivo para perdoar o passado e o presente, incutidos ambos pelo mesmo fundamento atroz, gostar do errante ser que nos quer segundo premeditações e expectativas já previamente elaboradas, por si só manipuladas para o perfeccionismo que nem existe, nem o princípio artístico é provido de tal perfeição, o amor é demasiado relativo, para o rotularem perfeição, é arte, e por isso deve ser desinteressado, apenas harmonia, acomodado ao saber de cada um.
Estou com vontade para ficar por aqui, e vou ficar mesmo.
 Por vezes o silêncio...     
 
 
                                                JoãoGouveia
JoãoGouveia às 20:41 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Dar

 

 Mostrou-me diversas maneiras de agir, disse-me como seria importante olhar a prática universalmente aceite, ensinou-me a dar oportunidade ao ridículo, questionou-me da minha patente subjectividade, alertou-me para eventuais erros presentes e mesmo sem corresponder às suas expectativas, aceitou-me como era. Talvez seja mesmo isso o verdadeiro amor, aceitar os defeitos, tal como as virtudes, deliberadamente. Descobri numa inocência esquecida, o amor sem intenções, sem limitações, e sobretudo sem dúvidas.
 
 
                                                              Sf
JoãoGouveia às 03:42 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sábado, 09.12.06

Cena

 

     Quando o jogo acaba. Que cartas sobram na mesa? Restam duas de copas e três de paus. Eu ganhara uma nova partida.
     Parto para um dia em que escrevo dois textos e postou-os numa página virtual, para um dia revelador de vontade por perder-me no labirinto em que me tornei. Progressivamente aquele desejo de fuga, sozinho, como sempre idealizei, no meu puro egoísmo urbanista, isento de gratidão, conspurcado de mentiras, vergonhosamente talhado. Se isto fosse verdade, talvez uma simulação seria bem-vinda para encobrir-me em peças teatrais de camuflagem ambígua. Oscilação não – denunciar-me-ia no palco. Que espectador és tu? Para julgar o guião que usas para estar aí sentado, aplaudindo? Serás máscara também? Não sei – dizias tu – possivelmente: saberias se soubesses quem eras na verdade, na convicção plena da tua afirmação identificadora, se te encontrasses. Qual é a tua vocação? Ser codificador do que és? Imparcialidade recíproca inexistente nestes dois mundos, tão iguais e tão diferentes.
      Espectador é o actor que representa sem cortinados que se fecham em cada acto.
 
 
                                                                                                   Sf
 
 
 
 
     Boa continuação de leitura.

 

JoãoGouveia às 02:35 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Sexta-feira, 08.12.06

Ela Ama quem tiver a Paciência de a Conhecer

 

 

   É só mais um começo - neste presente dissolvente de estreitas formas de amar - qualquer desejo recalcado, qualquer conector de discurso inacabado, não interessa: nem a filantropia que todos anseiam possuir. Por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer. A leitura por ela retida, não tem que ser assimilada, porque a acomodação de conhecimento não deve instruir para surpreender, por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer. A paisagem visível inspira-lhe por si só, mesmo que estejas lá, ela não te vê, por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer. O eco que ouve, não é do seu interior flamejante e descontextualizado por si só discriminado, é proveniente do vácuo pensante, por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer.
A orquestra que toca atrai-lhe nas horas menos apropriadas, abstraindo-se totalmente do teu momento programado para agradar, por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer.
   Ela não tem paciência para conhecer, por isso ela ama quem tiver a paciência para a conhecer.  
 
 
                                                                                Sf

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

JoãoGouveia às 20:15 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Segunda-feira, 04.12.06

Dezembro Esquecido

 

Vamos falar por entre árvores e palmeiras, entre ramos de oliveira verdes, envolventes na bruma, serpenteando o labirinto desse teu quintal.
   Novembro, penúltima escrita mensal desse teu ano apoteótico, não esqueceremos as nossas lágrimas dissolventes, quando deciframos o código desse teu cofre, escondido atrás daquele quadro impressionista. Surpreendentemente deixaras o nosso palpite esperançoso e passados trinta e oito anos estamos aqui, todos reunidos, para tirar a tua última fotografia, aquela de moldura preta, em que não sorris e seguras o teu livro de eleição - Dezembro Esquecido.
 
                                                                                                   Sf
JoãoGouveia às 04:48 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Segunda-feira, 27.11.06

Arrepio Frio

 

Entretenimento activista disfarça a saudade, desgasta pausadamente, corta recordações, mantém secreto, deambula esquecido, apressa a vontade.
Distância sentida substituída por momentos errados, infelicidade traduzida em falsos sorrisos, lágrimas derretidas em velas apagas, ruptura plena sem intenção, importante imaginação que ainda persiste após tal separação, salienta-se arrepio frio, que assegura a manifestação futura do amor incutido por nós, disfarçado pelas milhas de ausência.
  
                                                                                                  Sf
 
 
 
A todos os leitores do Vultos, as minhas sinceras desculpas pelo tempo despendido em outras actividades que não o blog. Uma boa continuação de leitura.
 
 
 
 
 
Ouvir:
 
 
 
 
 
 
 
sinto-me: acordar ao teu lado
música: quem amo
JoãoGouveia às 20:38 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 29.10.06

No Comboio

Nos vultos da velocidade escrevo.
O dia depois de amanhã pode revelar-se impróprio para escrever saudade, portanto momentaneamente receio perder-te para sempre. Hoje percebi o quanto gosto de ti, hoje omiti de mim mesmo a confusão dos meus sentimentos no turbilhão dos sentidos que me fazem resistir na caminhada. Percebo que a distância ausente de solidão é árdua e esculpida de amor, sonhos, perdas, enfim, tudo e nada de novo. Se pudesse modificaria a noite e o dia, só para concretizar uma união imutável, contínua, obsessiva, seria feliz nesse jogo de veracidade eterna.
Não importa o silêncio verbalizado, não interessa o sonho vultuoso, não implica vontade, e muito menos desejo, simplesmente salienta-se emoção incapaz de entender o entendimento do amor. Lamento a forma traçada e expositora que te travei, lamento ser auto-degradante, lamento por desviar o olhar, lamento não sorrir, lamento não pactuar, lamento gastar-te em consolos, lamento ser alérgico a pêlos de gatos, lamento que auxilies problemas meus, lamento interromper a conexão, lamento culpabilizar-me, lamento o lamentar destas lamentações lamentadoras ilimitáveis.
Não há sentir que esboce ou traduza os meus sentimentos, já os vi turvos, agora estão menos embaciados e mais exteriorizáveis. Os momentos são efémeros que surgem na fugacidade de um outro momento, nunca se deve contabilizar os que se seguem e os que se seguiram hoje foram comoventes, retidos na mudez envolvente, presságio triste de quem morde o isco da paixão.
Amo a serenidade, a segurança, a bondade, a dedicação, a integridade, a boa vontade, o carinho e o conforto que me dás. Por isso amo-te nas premissas de poder voltar e voltar, ir e nunca mais te ver. Quero repensar e continuar a deambular pelo caminho armadilhado dos dias e nele pormenorizar a descrição que pinto de símbolo receoso e na adversidade da vida encontrar a verdade que um dia se consumiu para mim, a verdade do amor.
Sexo, paixão, ódio, amor, termos que sempre metem medo a alguém como eu, complementares no mal e desintegrados no bem. Estou categoricamente ultrapassado por noções básicas e mordazes de quem não vê com o coração.
O amor não pode existir? É uma procura sistematicamente cerebral inata a que chamamos de necessidade conjugal partilhável . Amor poderia ser sexo, puramente prazeroso e dominantemente desinteresseiro. A procura induz sentido e este deduz vontade, vontade de ser amado?
Que posso eu desenhar sem ser culpado do risco inestético? Não há paralelismo inspirante entre o “eu” (único) e o amor que sublinhe promiscuidade caótica e emuladora, como eu e eu, vamos ao cinema? Pois é lá que a programação vital tende a manifestar-se quando tudo corre mal. O amor é o programa cerebral que une homens e desmorona lágrimas em cada verdade...
É o espezinhar inconsciente, nas linhas férreas a caminho de Coimbra...
Não quero ouvir música, não quero compor vida com notas musicais simuladoras, sol, dó, mi, ré, que interessa o resto? São tonsque te fazem desprezar o que queres mesmo cantar, que por vezes é mesmo silenciar...
 
 
                                                                                                                          Sf
 
JoãoGouveia às 23:16 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Domingo, 15.10.06

Encontrei-te

 

 

 

O sol desfocava-me do outro lado do rio, o ar soprava-lhe folhas e a água turva não me permitia ver o reflexo apreensivo que eu exteriorizava e paralelamente a este, estavas tu, da outra margem, aquela em que nos vimos de perto.
    Gradualmente aproximava-me e pensava: Que momento solene e merecedor depois de tanta espera, antes separados pelo Atlântico e agora, agora era só um rio, mas com ponte, a tal ligação directa a ti, o momento cinematográfico desejado por qualquer realizador que se preze. Anos, passei a anos a desacreditar na existência de tais momentos, descrente da genuinidade dos sentimentos através da procura. Cada passo era contado, cada pensamento era desculpabilizado, cada ilusão desaparecia, ao encontro da realidade. O nervosismo, esse teria que desaparecer, então falávamos, fumo inalava, as tuas palavras já não estavam distantes, as teclas gastas teclantes, não faziam mais sentido, agora eu é que deslizava, o monitor era a bela paisagem, os pensamentos pensantes estavam prestes a serem revelados, a cascata das nossas palavras seriam perceptíveis , estávamos perto e unidos pela arte divina, forte como o aço, nem o Pablo Picasso, fascina !E isso ficou comprovado quando te vi e senti o turbilhão intrínseco em mim.
 
     O teu olhar profundo, denso e expressivo, a tua sonoridade vocal soante, a tua boca ávida , a tua face realmente palpável ao toque, tão bonita. Gostei verdadeiramente da tua complementaridade exógena e endógena. Foi como se o virtual se tivesse difundido em realidade e então, surge vida, surge os elos emocionais.
 
       A naturalidade e o desenvolvimento do nosso momento, revelou surpresa em mim. Nunca pensei que num primeiro impacto, tudo aquilo acontecesse de forma tão espontânea.
As estrelas assistiram e na altura urbana desse momento, senti o que me eleva a escrever isto: Felicidade.
 
Inalcançáveis pelo mar,
Desencontrados pela terra,
Separados por um rio,
Por fim,
Unidos por nós mesmos.
 
                                                                                              sF

 

JoãoGouveia às 19:28 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 04.10.06

Passado Usado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por entre sombras enigmáticas noctívagas, procuro...
 
As estrelas ainda brilham, mesmo debaixo da chuva, porque o universo é perfeito.
Deixo-a molhar os sonhos. Ela cai serena.
Tento encontrar os pigmentos astrais dela na minha pele, porque sou saudosista pelo tempo em que não vivi.
Ela é harmoniosamente absorvida por mim, sensação primordial.
 
Descongelo o gelo do meu coração, culpa da chuva retida pela pele e recordo:
Vinte e dois de Outubro de 2003
Dia fresco, sol coado pelos chuviscos, faz-me
 sentir ainda mais apaixonado, tu esperas impacientemente. Que impacto profundo, adornado por olhares cúmplices envergonhados, quando me apresento em teu lado sedutor.
Forte ligação, talvez paixão, mas sobretudo, momentaneamente aquele sentimento expelido por nós, verdadeiramente amoroso. Sem quaisquer intenções cinematográficas, sem máscara o acto de representar extingui-se e a genuinidade transcende às mentiras simuladoras e então, tudo é mais sentido.
Involuntariamente o abraço e o beijo, a sintonia revela-se evidente e o desejo mútuo nos leva à continuidade das palavras prometedoras, dos juízos enganadores, da vontade omitida , do amor.
De mãos dadas, envoltos em chuva, daquela quarta-feira, delineamos passos futuros e olhamos a estrada que nos leva para beijos ainda mais intensos e apertos sufocantes....
Por entre sombras enigmáticas noctívagas, procuro o fim dessa estrada molhada, que absorvo hoje, na minha consciência, como a chuva em cima descrita.
Vinte e quatro de Novembro de 2003
Pensava que era suficientemente pragmático para esquecer facilmente os sentimentos que nos roubam os dias, mas não consegui afirmar-me indiferença.
Aqui estou eu. Mais uma vez a juntar as peças, que já deveriam ser apenas uma.
Talvez esta noite tudo se torne mais transparente. E falo com a minha melhor amiga.
Três de Dezembro de 2003
Paris ou Londres, tanto faz.
 
                                                                                    
                                                                               SF
 
 
música: Susana Félix / Mais olhos que barriga
JoãoGouveia às 19:52 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 01.10.06

Autumn in New York City

 
 
 
 
 
 
O Outono em New York City 
 
Nova Iorque - 06:30 am
A fogueira aquecia as mãos sardentas daquele idoso vagabundo que ouvia a emergência alarmista da sirene policial e olhando com desdém para o seu espelho de bolso partido, suspirava.
A névoa matinal cobria a cidade nova-iorquina e uma moeda de prata voava em direcção à mão de sardas. Catharine Core, fora sempre solidária.
 
As folhas secas do parque esvoaçavam a cada aterragem dos pombos correio, maioritariamente cinzentos, como céu que lhes cobria, intenso.
Times square , antes iluminada pelo néon fluorescente dos prédios, agora consumida pelo orvalho e pela obscuridade da falha eléctrica, triste. 
A rotina das folhas secas começara.
 
Nova Iorque - 08:00 pm
 
Manhattan ficara acizentado pelo embaciamento dos altos vidros do Empire State, transmitindo o final de Outono, frio.
Neste dia, Catharine foi mais cedo para casa, bebeu licor de ginja, tomou um banho de emersão e adormeceu ao som do vento folheado.
 
 
Nova Iorque
De urbano contrastas
O Outono que te veste
 
 
                                                                       SoNhO fIeL     
música: Dido/Honestly Ok
JoãoGouveia às 15:04 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quinta-feira, 28.09.06

Congruência Falsa

 
 
 
  
 
 
   Motivos tendem a retardar realizações.
 
   Às oito horas e um quarto da manhã, as pupilas dilatam ao som do despertador a três palmos da mão direita, o cobertor mantém-se pregado ao corpo solitário e o travesseiro conforta a mente, outrora sonhadora . A claridade proveniente da fechadura denuncia o dia cinzento que nasce, motivo para ficar na cama.
É dia de vestir preto, calçar memórias e transmitir frieza paralela ao clima incongruente, frio.
 
O sol coado, a chuva ácida, as nuvens ventosas, que deixam rasto branco, por fim, o mar, as ondas azuis que reflectem o cinzento que as sobrepõe – deixam a tristeza efusiva, enfurecem ambiguidades mentais, descreiam realizações nossas.
 
   Contextualizo motivo para ficar em casa e averiguo o espaço hermético que me insiro. Neste dia desligo o despertador, volto-me para a esquerda e motivo-me no tempo para não realizar evolução social. Culto o clima e dou-me uma oportunidade para esquece-lo e esqueço, em cada sono profundo.
 
 
Escuro pensamento
Estático movimento
 
Substituí amor:
 
   No segundo andar de um mero prédio idealizava que nunca procuraria o amor, pensava: vou substituir o amor pela minha própria cara, o meu substituto do amor seria eu.
Entrei em lugares estranhos, perigosos, disse não ao “one night stand”, senti o sufoco dos locais hostis e desisti do meu substituto do amor, mudei de ideias e de religião.
 
Não é fácil perceberem-me, quando tento explicar como me sinto, não têm que acreditar que existo.
 
Sempre tentei mudar, olhar para além das expectativas e continuar a respirar o novo surpreendente. Mas nada mais me surpreendeu, como a promessa de um destino melhor e a hipótese de começar tudo de novo, o ano novo sempre motiva à realização.
 
Num outro dia
Freud
Motivou
Neste dia
Motivo eu
O sistema do meu ego.
                                   
 
 
                                           SoNhO fiEL
    
 
  Erotic Poetry Model Club: Lopes Chapil Farrel, nem existe.                                        
JoãoGouveia às 19:30 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Terça-feira, 19.09.06

Adeus Crepúsculo Passado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                    Hoje é o último dia, o fim da fase e o início de outra.
 
Digo um “até já” ao crepúsculo sonhador, contemplo-o com incerteza, desprendo as amarradas dos raios saudosistas que encerram-me luar distante. De poesia escrevo retrospectiva de dias em que fui plano de vida, tal vida que continua, desta vez longe do mar.
 
 
Caminhei sereno
Descobri-me íngreme
Tropecei falhas
Caindo.
 
Enrosquei sonhos
Absolvi mágoas
Segreguei verdades
Calado.
 
Escrevi-me sentir
Pontuei-me ser
Conotei-me crescer
Criando..
 
 
 
Recordo infância livre, dos amigos que nunca esquecerei, mesmo sem os conhecer hoje. Como foi importante aquele passado, o tal em que dramatizei, quando chorei pelo entardecer de domingo. Posso deslizar até estas palavras:
 
 
Inverno
Chove
Sinto os pingos
É domingo.
 
Entardece
Arco-íris
Sinto o vento
É domingo.
 
Anoitece
Frio
Sinto o arrepio
É domingo.
 
 
Amanhece
Sono
Sinto o despertador
É segunda.
(a escola esperava serena)
 
 
 
 
 
Os anos passam... As convicções mudam, nós descobrimo-nos! Por vezes revelamos supressa para nós mesmos.
Amizades se formam e tornam-se viciadas em afectos moralistas.
 
 Apegamo-nos às caminhadas distantes, ao cheiro da terra molhada, ao extremo do sentido, fugimos da claustrofobia social. Discutimos fragmentos famigerados pelos nossos seres insaciáveis por conhecimento incongruente, aquele mundialmente retido em silêncio e já fundamentado em teses eruditas de teor cientifico.  Não é Nídia Martins?
 
Tu és o segredo segregado secretamente secreto , tu és o subtítulo desta página.
 
Confidente dos melhores anos da minha vida, és o pequeno diário talhado em mim, só tu sabes a página que me compõe, a letra com que escrevi “guiomar” e o corrector que o apagou de mim e todos os outros momentos. Ajudaste-me e jamais irei subestimar tal auxílio e dedicação.
 
Espero que nunca te esqueças dos nossos momentos apoteóticos, do nosso recinto, tão nosso, tão nós. O ciclo infelizmente, acabou, mas ( há sempre um mas) para o ano tudo vai estabilizar, tudo irá se repor, e continuaremos a saga amistosa de sempre, que o tempo, a distância não romperá .
 
Nunca te escrevi um poema! Mereces um poema, mas a minha mente é incapaz de o compor, talvez porque, nem a poesia consegue traduzir o quão és importantíssima para mim, não há saber capaz de exteriorizar tamanho significado. Sinto o privilégio de sentir na pele o toque da verdadeira amizade, do sentimento profundo dos vínculos criados, aqueles que se criam com amor, verdade, e sobretudo, confiança. Sinto-me piamente bem, quando digo : és a pessoa que mais confio neste mundo, és o meu maior retalho... 
 
Reformulando esta estrofe:
 
A amizade é a pasta mole que move o mundo!
Encontro a provação na tua confiança
Sempre nos confortaremos e da janela natural
Verão o nosso retrato, como o desejo que lhes move a alma.
 
 
 
 
Hoje é dia de repensar passados e de reconsiderar futuros, o dia do confronto temporal.
Espero amar, lutar, motivar, seguir, sentir, ser, crêr, olhar, sobretudo, viver livre!
 
 
Vou....

                                                                                  SonhoFiel

sinto-me: Em apreensividade ansiolítica
música: Coldplay/Trouble
JoãoGouveia às 04:11 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Sábado, 19.08.06

Tua Autobiografia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comecei do nada!
Terminei arriscando!
Continuo andando
Em névoa aliada...


Momentos partidos!
Horas somadas!
Sonhos caídos
Em mágoas quebradas...


Caminho apertado!
Cruzei dor!
Corpo atado
Em teu odor...


Tiras fotografia
Com flash apagado!
Escondendo o achado
Que compõe a tua autobiografia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sonho fiel

 

 

 

 

 

sinto-me: planando
música: Dido/ No angel
JoãoGouveia às 14:04 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sábado, 10.06.06

TUAS PALAVRAS

 

Teclas gastas teclantes

por vezes deslizantes,

no monitor palavras flutuantes

dos teus pensamentos pensantes

para meu coração gratificantes,

na cascata das tuas palavras berrantes

imperceptíveis antes

e agora tocantes,

vejo que estamos distantes,

mas unidos pela arte divina,

forte como o aço,

nem o Pablo Picasso,

fascina!

{{SONHOFIEL}}

sinto-me: nadadonada
JoãoGouveia às 14:17 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 09.06.06

A janela natural da Vida

Espuma desfeita no azul frio do mar

inspira-me o reflexo quente do teu amar

A distancia é a flauta que canta

mais alto que o segregar

Somos apenas heróis na mera concepção gratuita

e nada, nada nos pode separar

a banalidade do nunca é muita

mas nunca vamos nos desencostar

O amor é a pasta mole que move o mundo!

encontro a provação no teu abraçar

serás para toda a eternidade a minha afirmação 

a efemeridade não existirá mais, só o ponto de exclamação 

sempre nos amaremos e da janela natural verão sempre

o nosso retrato como o desejo que lhes move a alma

{{SONHOFIEL}}

 

sinto-me: a divagar
JoãoGouveia às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (2)

SER

 

 

            Somos o vácuo a escuridão pesada de mil pontos sobrepostos no nada, buscamos a claridade, mas não há diferenciação, presiste alguma serenidade atingida pela solidão, constituímos o vácuo com as nossas limitações, por desgraça não há quaisquer decisões, prefiro ser o inconsciente que nada é mas que pensa, assim serei aquilo que nunca pensei existir, não como um matemático - ser o que a mente foi sem pensar.

{{SONHOFIEL}}

JoãoGouveia às 14:58 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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