Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

No Comboio

Nos vultos da velocidade escrevo.
O dia depois de amanhã pode revelar-se impróprio para escrever saudade, portanto momentaneamente receio perder-te para sempre. Hoje percebi o quanto gosto de ti, hoje omiti de mim mesmo a confusão dos meus sentimentos no turbilhão dos sentidos que me fazem resistir na caminhada. Percebo que a distância ausente de solidão é árdua e esculpida de amor, sonhos, perdas, enfim, tudo e nada de novo. Se pudesse modificaria a noite e o dia, só para concretizar uma união imutável, contínua, obsessiva, seria feliz nesse jogo de veracidade eterna.
Não importa o silêncio verbalizado, não interessa o sonho vultuoso, não implica vontade, e muito menos desejo, simplesmente salienta-se emoção incapaz de entender o entendimento do amor. Lamento a forma traçada e expositora que te travei, lamento ser auto-degradante, lamento por desviar o olhar, lamento não sorrir, lamento não pactuar, lamento gastar-te em consolos, lamento ser alérgico a pêlos de gatos, lamento que auxilies problemas meus, lamento interromper a conexão, lamento culpabilizar-me, lamento o lamentar destas lamentações lamentadoras ilimitáveis.
Não há sentir que esboce ou traduza os meus sentimentos, já os vi turvos, agora estão menos embaciados e mais exteriorizáveis. Os momentos são efémeros que surgem na fugacidade de um outro momento, nunca se deve contabilizar os que se seguem e os que se seguiram hoje foram comoventes, retidos na mudez envolvente, presságio triste de quem morde o isco da paixão.
Amo a serenidade, a segurança, a bondade, a dedicação, a integridade, a boa vontade, o carinho e o conforto que me dás. Por isso amo-te nas premissas de poder voltar e voltar, ir e nunca mais te ver. Quero repensar e continuar a deambular pelo caminho armadilhado dos dias e nele pormenorizar a descrição que pinto de símbolo receoso e na adversidade da vida encontrar a verdade que um dia se consumiu para mim, a verdade do amor.
Sexo, paixão, ódio, amor, termos que sempre metem medo a alguém como eu, complementares no mal e desintegrados no bem. Estou categoricamente ultrapassado por noções básicas e mordazes de quem não vê com o coração.
O amor não pode existir? É uma procura sistematicamente cerebral inata a que chamamos de necessidade conjugal partilhável . Amor poderia ser sexo, puramente prazeroso e dominantemente desinteresseiro. A procura induz sentido e este deduz vontade, vontade de ser amado?
Que posso eu desenhar sem ser culpado do risco inestético? Não há paralelismo inspirante entre o “eu” (único) e o amor que sublinhe promiscuidade caótica e emuladora, como eu e eu, vamos ao cinema? Pois é lá que a programação vital tende a manifestar-se quando tudo corre mal. O amor é o programa cerebral que une homens e desmorona lágrimas em cada verdade...
É o espezinhar inconsciente, nas linhas férreas a caminho de Coimbra...
Não quero ouvir música, não quero compor vida com notas musicais simuladoras, sol, dó, mi, ré, que interessa o resto? São tonsque te fazem desprezar o que queres mesmo cantar, que por vezes é mesmo silenciar...
 
 
                                                                                                                          Sf
 

14 comentários

Comentar post

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2007
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2006
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D