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todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

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Câmara Lenta

 

    Poderia acrescentar ao meu plano diário uma premissa mais desafogada, à monotonia dar descanso e a mim mesmo, deliberar a verdade individualista opressora, daqueles meus segundos de câmara lenta – tentados ao mal.
    Respiração a fundo, tolerância da difusão ideológica, íngreme peso que ainda persiste, à vontade faz-se ás de copas, numa percepção ténue, quase como que câmara lenta premeditada se tratasse, tudo ao compasso recto da música de dós. Ao fundo, fatalidade ecoa mágoa, pedras riscam rocha, deixam marca dilacerante, como rótulo proibido do necessário, particularmente aceite pela necessidade, numa cinematografia pensante, daqueles momentos de câmara lenta, gravados e esculpidos em finais drásticos, por não gritarem telas abstractas com coração. Linhas que já fartam, enchem-me de saciedade torturante, em palavras sempre iguais, contextualizadas na câmara lenta da tua vida, demasiado movimentada no ângulo quebrante de uma oscilação imperfeita, tremida pela incompreensão. O som. Esse desmaia, quando palavras tendem a manifestar vida demente. Repito réplicas sentimentais, mesmo assim insuficientemente inabaláveis, acordeis com os neurónios talvez acessos demais, numa prática quase que universal, nesse vai e vem de câmara lenta esquecida, a tal emotiva que desenrola a minha vida. Receitas calmantes, soporíferos que tencionam esquecimento, ditam-me falta de memória e em câmara lenta esqueço, paulatinamente, como que numa acumulação de selos eu coleccionasse o seu vício aceite.
    Despeço-me hoje das amarras cerebrais, fios que prendiam câmaras lentas sentimentais, que pouco ou nada simbolizavam para o realizador, fez do filme curta-metragem.
 

               João Gouveia                           

 Funchal, três de Março de 2007

 

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