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todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

No Comboio

Nos vultos da velocidade escrevo.
O dia depois de amanhã pode revelar-se impróprio para escrever saudade, portanto momentaneamente receio perder-te para sempre. Hoje percebi o quanto gosto de ti, hoje omiti de mim mesmo a confusão dos meus sentimentos no turbilhão dos sentidos que me fazem resistir na caminhada. Percebo que a distância ausente de solidão é árdua e esculpida de amor, sonhos, perdas, enfim, tudo e nada de novo. Se pudesse modificaria a noite e o dia, só para concretizar uma união imutável, contínua, obsessiva, seria feliz nesse jogo de veracidade eterna.
Não importa o silêncio verbalizado, não interessa o sonho vultuoso, não implica vontade, e muito menos desejo, simplesmente salienta-se emoção incapaz de entender o entendimento do amor. Lamento a forma traçada e expositora que te travei, lamento ser auto-degradante, lamento por desviar o olhar, lamento não sorrir, lamento não pactuar, lamento gastar-te em consolos, lamento ser alérgico a pêlos de gatos, lamento que auxilies problemas meus, lamento interromper a conexão, lamento culpabilizar-me, lamento o lamentar destas lamentações lamentadoras ilimitáveis.
Não há sentir que esboce ou traduza os meus sentimentos, já os vi turvos, agora estão menos embaciados e mais exteriorizáveis. Os momentos são efémeros que surgem na fugacidade de um outro momento, nunca se deve contabilizar os que se seguem e os que se seguiram hoje foram comoventes, retidos na mudez envolvente, presságio triste de quem morde o isco da paixão.
Amo a serenidade, a segurança, a bondade, a dedicação, a integridade, a boa vontade, o carinho e o conforto que me dás. Por isso amo-te nas premissas de poder voltar e voltar, ir e nunca mais te ver. Quero repensar e continuar a deambular pelo caminho armadilhado dos dias e nele pormenorizar a descrição que pinto de símbolo receoso e na adversidade da vida encontrar a verdade que um dia se consumiu para mim, a verdade do amor.
Sexo, paixão, ódio, amor, termos que sempre metem medo a alguém como eu, complementares no mal e desintegrados no bem. Estou categoricamente ultrapassado por noções básicas e mordazes de quem não vê com o coração.
O amor não pode existir? É uma procura sistematicamente cerebral inata a que chamamos de necessidade conjugal partilhável . Amor poderia ser sexo, puramente prazeroso e dominantemente desinteresseiro. A procura induz sentido e este deduz vontade, vontade de ser amado?
Que posso eu desenhar sem ser culpado do risco inestético? Não há paralelismo inspirante entre o “eu” (único) e o amor que sublinhe promiscuidade caótica e emuladora, como eu e eu, vamos ao cinema? Pois é lá que a programação vital tende a manifestar-se quando tudo corre mal. O amor é o programa cerebral que une homens e desmorona lágrimas em cada verdade...
É o espezinhar inconsciente, nas linhas férreas a caminho de Coimbra...
Não quero ouvir música, não quero compor vida com notas musicais simuladoras, sol, dó, mi, ré, que interessa o resto? São tonsque te fazem desprezar o que queres mesmo cantar, que por vezes é mesmo silenciar...
 
 
                                                                                                                          Sf
 

Encontrei-te

 

 

 

O sol desfocava-me do outro lado do rio, o ar soprava-lhe folhas e a água turva não me permitia ver o reflexo apreensivo que eu exteriorizava e paralelamente a este, estavas tu, da outra margem, aquela em que nos vimos de perto.
    Gradualmente aproximava-me e pensava: Que momento solene e merecedor depois de tanta espera, antes separados pelo Atlântico e agora, agora era só um rio, mas com ponte, a tal ligação directa a ti, o momento cinematográfico desejado por qualquer realizador que se preze. Anos, passei a anos a desacreditar na existência de tais momentos, descrente da genuinidade dos sentimentos através da procura. Cada passo era contado, cada pensamento era desculpabilizado, cada ilusão desaparecia, ao encontro da realidade. O nervosismo, esse teria que desaparecer, então falávamos, fumo inalava, as tuas palavras já não estavam distantes, as teclas gastas teclantes, não faziam mais sentido, agora eu é que deslizava, o monitor era a bela paisagem, os pensamentos pensantes estavam prestes a serem revelados, a cascata das nossas palavras seriam perceptíveis , estávamos perto e unidos pela arte divina, forte como o aço, nem o Pablo Picasso, fascina !E isso ficou comprovado quando te vi e senti o turbilhão intrínseco em mim.
 
     O teu olhar profundo, denso e expressivo, a tua sonoridade vocal soante, a tua boca ávida , a tua face realmente palpável ao toque, tão bonita. Gostei verdadeiramente da tua complementaridade exógena e endógena. Foi como se o virtual se tivesse difundido em realidade e então, surge vida, surge os elos emocionais.
 
       A naturalidade e o desenvolvimento do nosso momento, revelou surpresa em mim. Nunca pensei que num primeiro impacto, tudo aquilo acontecesse de forma tão espontânea.
As estrelas assistiram e na altura urbana desse momento, senti o que me eleva a escrever isto: Felicidade.
 
Inalcançáveis pelo mar,
Desencontrados pela terra,
Separados por um rio,
Por fim,
Unidos por nós mesmos.
 
                                                                                              sF

 

Passado Usado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por entre sombras enigmáticas noctívagas, procuro...
 
As estrelas ainda brilham, mesmo debaixo da chuva, porque o universo é perfeito.
Deixo-a molhar os sonhos. Ela cai serena.
Tento encontrar os pigmentos astrais dela na minha pele, porque sou saudosista pelo tempo em que não vivi.
Ela é harmoniosamente absorvida por mim, sensação primordial.
 
Descongelo o gelo do meu coração, culpa da chuva retida pela pele e recordo:
Vinte e dois de Outubro de 2003
Dia fresco, sol coado pelos chuviscos, faz-me
 sentir ainda mais apaixonado, tu esperas impacientemente. Que impacto profundo, adornado por olhares cúmplices envergonhados, quando me apresento em teu lado sedutor.
Forte ligação, talvez paixão, mas sobretudo, momentaneamente aquele sentimento expelido por nós, verdadeiramente amoroso. Sem quaisquer intenções cinematográficas, sem máscara o acto de representar extingui-se e a genuinidade transcende às mentiras simuladoras e então, tudo é mais sentido.
Involuntariamente o abraço e o beijo, a sintonia revela-se evidente e o desejo mútuo nos leva à continuidade das palavras prometedoras, dos juízos enganadores, da vontade omitida , do amor.
De mãos dadas, envoltos em chuva, daquela quarta-feira, delineamos passos futuros e olhamos a estrada que nos leva para beijos ainda mais intensos e apertos sufocantes....
Por entre sombras enigmáticas noctívagas, procuro o fim dessa estrada molhada, que absorvo hoje, na minha consciência, como a chuva em cima descrita.
Vinte e quatro de Novembro de 2003
Pensava que era suficientemente pragmático para esquecer facilmente os sentimentos que nos roubam os dias, mas não consegui afirmar-me indiferença.
Aqui estou eu. Mais uma vez a juntar as peças, que já deveriam ser apenas uma.
Talvez esta noite tudo se torne mais transparente. E falo com a minha melhor amiga.
Três de Dezembro de 2003
Paris ou Londres, tanto faz.
 
                                                                                    
                                                                               SF
 
 

Autumn in New York City

 
 
 
 
 
 
O Outono em New York City 
 
Nova Iorque - 06:30 am
A fogueira aquecia as mãos sardentas daquele idoso vagabundo que ouvia a emergência alarmista da sirene policial e olhando com desdém para o seu espelho de bolso partido, suspirava.
A névoa matinal cobria a cidade nova-iorquina e uma moeda de prata voava em direcção à mão de sardas. Catharine Core, fora sempre solidária.
 
As folhas secas do parque esvoaçavam a cada aterragem dos pombos correio, maioritariamente cinzentos, como céu que lhes cobria, intenso.
Times square , antes iluminada pelo néon fluorescente dos prédios, agora consumida pelo orvalho e pela obscuridade da falha eléctrica, triste. 
A rotina das folhas secas começara.
 
Nova Iorque - 08:00 pm
 
Manhattan ficara acizentado pelo embaciamento dos altos vidros do Empire State, transmitindo o final de Outono, frio.
Neste dia, Catharine foi mais cedo para casa, bebeu licor de ginja, tomou um banho de emersão e adormeceu ao som do vento folheado.
 
 
Nova Iorque
De urbano contrastas
O Outono que te veste
 
 
                                                                       SoNhO fIeL     

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