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todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

Live to tell

 
 
 
 
 
 
 Neste momento, por si só deprimente, anseio falar-vos, não só de tudo aquilo que me atormenta, mas também daquilo que devia atormentar-me.
 Por vezes, tudo parece desaparecer das nossas vidas, falo do amor, dum sentimento primordial da nossa efémera existência, não perguntem porque escrevi difusão cosmopolita anteriormente a este excerto, eu próprio não percebo o que desejo verdadeiramente atingir nesta passagem isenta de sinceridade por parte de nós mesmos. Os dias não param, somas e somas deles, as nuvens em constante mutação, o vento, ora este, ora oeste e eu, tu, nós, com tempos completamente diferentes, noutros ares, em vidas distintas, com problemas e razões obliquas, que nos diferem e ferem, quando a distância afirma-se controvérsia. E como, como odeio queixar-me, como é triste subestimar o amor e acordar numa ilha ultraperiférica, com falta de oxigénio e ainda mais triste é confirmar: todos só pensam nos seus interesses, na sua satisfação, utilizam quem os amam, vítimas depois dizem ser, e se o disseram, é porque eu, tu ou nós não aceitamos passivamente uma proposta, uma vontade alheia, e o amor? Será motivo para perdoar o passado e o presente, incutidos ambos pelo mesmo fundamento atroz, gostar do errante ser que nos quer segundo premeditações e expectativas já previamente elaboradas, por si só manipuladas para o perfeccionismo que nem existe, nem o princípio artístico é provido de tal perfeição, o amor é demasiado relativo, para o rotularem perfeição, é arte, e por isso deve ser desinteressado, apenas harmonia, acomodado ao saber de cada um.
Estou com vontade para ficar por aqui, e vou ficar mesmo.
 Por vezes o silêncio...     
 
 
                                                JoãoGouveia

Dar

 

 Mostrou-me diversas maneiras de agir, disse-me como seria importante olhar a prática universalmente aceite, ensinou-me a dar oportunidade ao ridículo, questionou-me da minha patente subjectividade, alertou-me para eventuais erros presentes e mesmo sem corresponder às suas expectativas, aceitou-me como era. Talvez seja mesmo isso o verdadeiro amor, aceitar os defeitos, tal como as virtudes, deliberadamente. Descobri numa inocência esquecida, o amor sem intenções, sem limitações, e sobretudo sem dúvidas.
 
 
                                                              Sf

Cena

 

     Quando o jogo acaba. Que cartas sobram na mesa? Restam duas de copas e três de paus. Eu ganhara uma nova partida.
     Parto para um dia em que escrevo dois textos e postou-os numa página virtual, para um dia revelador de vontade por perder-me no labirinto em que me tornei. Progressivamente aquele desejo de fuga, sozinho, como sempre idealizei, no meu puro egoísmo urbanista, isento de gratidão, conspurcado de mentiras, vergonhosamente talhado. Se isto fosse verdade, talvez uma simulação seria bem-vinda para encobrir-me em peças teatrais de camuflagem ambígua. Oscilação não – denunciar-me-ia no palco. Que espectador és tu? Para julgar o guião que usas para estar aí sentado, aplaudindo? Serás máscara também? Não sei – dizias tu – possivelmente: saberias se soubesses quem eras na verdade, na convicção plena da tua afirmação identificadora, se te encontrasses. Qual é a tua vocação? Ser codificador do que és? Imparcialidade recíproca inexistente nestes dois mundos, tão iguais e tão diferentes.
      Espectador é o actor que representa sem cortinados que se fecham em cada acto.
 
 
                                                                                                   Sf
 
 
 
 
     Boa continuação de leitura.

 

Ela Ama quem tiver a Paciência de a Conhecer

 

 

   É só mais um começo - neste presente dissolvente de estreitas formas de amar - qualquer desejo recalcado, qualquer conector de discurso inacabado, não interessa: nem a filantropia que todos anseiam possuir. Por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer. A leitura por ela retida, não tem que ser assimilada, porque a acomodação de conhecimento não deve instruir para surpreender, por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer. A paisagem visível inspira-lhe por si só, mesmo que estejas lá, ela não te vê, por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer. O eco que ouve, não é do seu interior flamejante e descontextualizado por si só discriminado, é proveniente do vácuo pensante, por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer.
A orquestra que toca atrai-lhe nas horas menos apropriadas, abstraindo-se totalmente do teu momento programado para agradar, por isso ela ama quem tiver a paciência de a conhecer.
   Ela não tem paciência para conhecer, por isso ela ama quem tiver a paciência para a conhecer.  
 
 
                                                                                Sf

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dezembro Esquecido

 

Vamos falar por entre árvores e palmeiras, entre ramos de oliveira verdes, envolventes na bruma, serpenteando o labirinto desse teu quintal.
   Novembro, penúltima escrita mensal desse teu ano apoteótico, não esqueceremos as nossas lágrimas dissolventes, quando deciframos o código desse teu cofre, escondido atrás daquele quadro impressionista. Surpreendentemente deixaras o nosso palpite esperançoso e passados trinta e oito anos estamos aqui, todos reunidos, para tirar a tua última fotografia, aquela de moldura preta, em que não sorris e seguras o teu livro de eleição - Dezembro Esquecido.
 
                                                                                                   Sf

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