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todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

Caminho Correia Borges dos Santos

 

     As torneiras voadoras e os babuínos de pêlo curto, e ainda as girafas azuis rabugentas, todos eles têm uma alternativa de vida para além do teu verde esperança. E o sol não brilhava mais, mesmo que utilizes os óculos de sol prateados que roças nas mãos alheias. Tudo isto se via do caleidoscópio musical do teu interior já não criativo, numa loucura além do imaginável, é fácil ver-se todas estas reminiscências quando já não se sabe distinguir a mentira da verdade, difícil seria não importar amêndoas doces à deambulação dos dias efémeros e despertar equações racionais demais para a compreensão científica.
     Eles velam por máquinas ancestrais de escrita não metódica e criativa, abocanhado cigarros aromáticos convulsionantes e desagradáveis aos olhos da saúde pública, têm pena da extinção desses animais outrora míticos, choram em folhas de papel já molhadas pela viscosidade das lesmas que não matam, porque aniquilar um inimigo é perder o nosso ódio e transformá-lo em arrependimento nostálgico nos dias que passarão.
      A vida em câmara lenta degenera-se no meu pensamento, desmorona-se por pasmos de admiração abúlica e sem lógica, não é esquizofrenia, mas tomara que o fosse, não é medo e muito menos falta de compreensão, são apenas os meus decréscimos dias reconstrutivos mentais que aplaudem a minha letargia amarga, que é ao mesmo tempo inquietante e provocante.
     A felicidade pode estar algures, talvez num ponto de estagnação da tua própria imaginação, porque ela é indecifrável, apertada ao âmago contrário da morte que não vive, porque dizem que não é real.
     Fragmentos interpelados em ti, parados em focos interiores capazes de sobrevoar cidades, caem no acordar da realidade castradora, limitada, por isso mesmo infeliz coitada.
 

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             Eu, o meu amado e sempre lembrado fundo endógeno, meu conhecido e molestado por ideias oriundas de um mundo inventado, sabe que os dias passarão e em anos tornar-se-ão, sabe do devir castrador que dirá…devagarinho, num sopro flutuante, numa palavra que decidirá o meu futuro para sempre. Momentaneamente…nada sei, talvez porque…já nada quero medir. Os sonhos mortos e as festas, os desenhos e as colheitas, os afectos e as cerejas maduras como o podre das almas apaixonadas, caíram num abismo intrínseco capaz de sobrevoar indígenas cidades…em pasmos emudecidos…crescem e nascem. Repete-se palavras, promove-se diálogos filantropos, esconde-se as mesmas mentiras e segregam-se finais irremediáveis aos pés dos doutores analíticos…E a ternura animal? O olhar por detrás do coração? A manifestação rancorosa de um dia qualquer? Onde pairas…metamorfose cosmopolita? Em exposições sensitivas…Em odes populacionais? Para quê continuar a exercer a mesma função…A vida capta-se em substâncias de igual para igual, há os filmes e o teu próprio teatro e mais mil e uma coisas e os épicos não existem mais, porém tu escolhes e morres em gestos ainda por gesticular e assim proliferam os átomos esquecidos…poeira cósmica e imutável que entristece qualquer desconhecido… Quem ao ver-me dirá...
 
    

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