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todos perdem o encantamento quando se distraem contigo

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O caçador de tempestades

O que mais se altera na atmosfera terrestre é a pressão e a temperatura, capazes de desencadear as mais belas tempestades.

O meu nome é Carlos Pança Mole e fui dependente em tempestades.

Quando era criança costumava subir o telhado da casa dos meus pais para ver aquelas enormes nuvens carregadas de água, ficava admirando o seu movimento e sonhava ser um caçador de tempestades.

De noite, a claridade provocada pelos relâmpagos dentro do meu quarto, era como um festim de alegria. Uma festa que surgia quando menos esperava e que me proporcionava um espetáculo noturno cheio de adrenalina. Desejava viver para as tempestades.

Quando chovia nunca usava guarda-chuva, adorava sentir a chuva e desejava que esta me afogasse. Queria tempestades diárias, mas isso era impossível. No sítio onde morava elas apareciam muito pouco.

Todos os dias pesquisava por tempestades, das mais históricas às menos históricas. Eu só tinha uma certeza, queria vivê-las e senti-las, mesmo que isso significasse arriscar a própria vida.

Durante aqueles anos, fui atrás de ventos e trovões, muito raramente vi neve e os tornados só mesmo em filmes. O meu conhecimento de tempestades era então muito rudimentar e incompleto. Sentia que precisava de uma maior vivência e não via a hora de sair dali a ir ao encontro de um sítio repleto de tempestades.

Quando fiz 18 anos decidi que era o momento certo para emigrar para um país idóneo a verdadeiras tempestades. Foi então que escolhi viver algures na América Central. Nunca me sentia só. Éramos vários a ver nas tempestades o seu valor estético e artístico.

Sempre quis morrer sufocado pelo vento ou arrastado por um enorme tsunami. A força bruta da natureza sempre me impressionou ao ponto de querer ser desfeito por essa mesma força.

Em 1985, quando tinha 33 anos, fui ao encontro da imagem singular e perfeita de uma tempestade e nunca mais regressei.

Foi o dia mais feliz da minha vida.

 

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